sábado, 28 de abril de 2012

Vestido de Noiva - Nelson Rodrigues (peça de teatro)

(capa do livro - li em pdf - mais informações abaixo)

Rápida Trama

Alaíde, aparentemente no purgatório, encontra Madame Clessi, a antiga moradora de sua casa, que morreu deixando um diário contando sua vida.

Alaíde tenta relembrar o que aconteceu na sua vida e por que razão ela está lá, naquele lugar. Ela matou o marido ou o marido a matou? Ou a amante do marido? Ou foi um acidente de carro?

Pontos Positivos

A peça é muito bem contada, muito bem pensada, muito bem escrita e sua trama é aficcionante. As personagens são esféricas e têm consigo uma personalidade extremamente marcante.

De leitura leve e relaxante, a peça demonstra-se um entretenimento perfeito para um fim de semana, já que sua extensão não é de grandes proporções.

Pontos Negativos

Quem não está acostumado com a linguagem dos palcos, com a leitura de peças, as rubricas podem atrapalhar a concentração e algumas palavras não terão tanto sentido. Por isso, é sempre bom manter um dicionário ao lado e não ter preguiça de pesquisar qual é o sentido daquela palavra no teatro.

A peça é composta por três áreas no palco: a da memória, a da ilusão e a da realidade. De início, é difícil imaginar e montar o espaço na imaginação, pode ser extremamente confuso, mas assim que o faz, a leitura flui perfeitamente.

Crítica Geral

Ótimo livro para ser lido em um fim de semana, já que é uma peça de teatro e, por isso, não é enorme. Além disso, a leitura é leve, dinâmica (ainda mais por haver as rubricas, que tornam o espaço dinâmico e não nos entedia) e aficcionante, pois não se sabe, de início, quem matou quem.

Nota: 5 (0-5)

Livro em uma palavra: entretenimento

Nota sobre o resenhista

De primeira, ouvi falar da peça em uma aula de português no ensino médio, em que a professora indicou para aqueles que gostavam/faziam teatro (na época, havia completado 3 anos de aulas de teatro). Hesitei em ler, mas daí a vontade cresceu dentro de mim e, quando percebi, estava entulhado de coisas para fazer e ler devido à faculdade e a nova vida de estudante.

Entretanto, achei um tempinho para ler essa peça (por acaso, facilmente encontrada na internet como arquivo em pdf, para aqueles que, como eu, usam um leitor de e-book, aliás, uma ótima dica para cortar gastos com os livros caros do Brasil) e estou feliz por tê-la lido.

Peço desculpas pela demora de um post novo, mas acreditem, não abandonarei tão cedo este hobby, mas, como eu disse, o tempo ficou mais curto e a vida mais corrida. Agora, neste feriado do 1º de maio, tenho um tempo mais ocioso e é bem capaz que eu termine de ler outro livro.

Como agora eu comecei a ler livros eletrônicos, não postarei fotos tiradas por mim do livro físico, mas sim das capas dos livros (encontradas com a ajuda do poderoso Google).

Pretendo divulgar uma promoção em breve. Aguardem e fiquem atentos às postagens!

Bom feriado a todos!


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Feios - Scott Westerfeld




Rápida Trama

No mundo em que Tally vive, todos, aos dezesseis anos de idade, ganham uma operação para deixarem de se tornar “feios” e passer a serem “perfeitos”. Arrumam-se os cabelos, o corpo, o rosto, enfim, tudo e passam a viver em “Nova Perfeição”, uma cidade badalada onde há festas ótimas.

Algum pouco tempo antes de seu aniversário, Tally conhece uma garota, Shay, cujo sonho é não se tornar perfeita e se mudar a “Fumaça”, um lugar independente das cidades regulares onde só existem feios. Além disso, ambas as garotas fazem aniversário no mesmo dia.

Shay vai à Fumaça um dia antes do tão esperado aniversário de 16 anos, deixando à sua amiga um bilhete com algumas dicas a como chegar à Fumaça.

Dra. Cable acaba descobrindo tudo isso e impede Tally de fazer a operação até que a recém-aniversariante aja como uma espiã e vá à Fumaça com um localizador, a fim de fornecer a localização exata da cidade enfumaçada.

Entretanto, seu pensamento muda ao chegar lá, acaba se apaixonando e descobrindo um segredo horrível sobre as operações.

Pontos Positivos

Leitura muito fácil, direta e intrigante, prende o leitor desde o começo até o final, deixando-o a fim de continuar a ler a série (que, atualmente, tem 3 livros e mais um está para ser lançado).

A descrição das personagens é muito detalhista, buscando fundamentos científicos na perfeição física dos operados.

Pontos Negativos

Os momentos de clímax da ação são muito elaborados e, em contrapartida, a narração (talvez a tradução) tenha pecado em deixar clara a movimentação e as ações das personagens, porém nada que seja extremante ininteligível.

Crítica Geral

Um livro muito bom para ser lido, tendo sutis críticas, feitas perante um futuro, sobre o mundo contemporâneo.

Muito fidedigno, uma ficção totalmente possível de ocorrer, muito bem escrita e fundada em preceitos científicos. Scott Westerfeld fez um ótimo trabalho com a manipulação de informações com o mundo atual e criou uma ponte firme com o futuro.

Nota: 4.5 (0-5)

Livro em uma palavra: Intrigante

Nota sobre o resenhista

Tomei conhecimento dessa série através de uma amiga, que leu e adorou. Contou-me brevemente a trama e me interessei na hora. Quando soube que era um infanto-juvenil, esperei por algo mais fútil ou menos pesado, todavia o livro propõe críticas extremamente fortes ao nosso meio de vida e cria um vínculo do psicológico atual e futuro. Uma leitura muito boa.

Amanhã de madrugada, estarei me mudando para Florianópolis a fim de estudar Ciências Econômicas na UFSC. Até que eu me acerte, arrume tudo o que tem de ser arrumado, levarei algum tempo para poder postar algo novo no Procuram-se Leitores. Mas saibam que mais livros serão revisados, além da continuação dessa sério, cujo segundo livro chama-se “Perfeitos”.

Até breve!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Cortador de Pedras - Camilla Läckberg


Rápida Trama

A cidade de Fjällbacka, Suécia, é conhecida pela pesca de lagostas. Um dos pescadores, em um dia normal, puxa sua rede de pesca e juntamente a ela, o cadáver de uma criança ruiva vem à superfície. Supostamente um afogamento.

A polícia é chamada e acaba-se descobrindo que na realidade, tratou-se de um assassinato, pois a água encontrada nos pulmões da garota era doce. Além disso, foram encontrados resquícios de cinzas no corpo da querida menina.

Na antiga Suécia (por volta dos anos 1920), mais precisamente nas cidades de Fjällbacka, Göteburg e Strömstad, Anders Andersson, um exímio cortador de pedras, tem um caso com a filha de seu patrão, Agnes. Isso, no futuro, afetará toda a história do assassinato da pequena garota.

Pontos Positivos

Extremamente intrigante, a curiosidade prende o leitor desde o começo da narrativa. Muito bem escrita e detalhada, Camilla Läckberg desenvolve uma história aficcionante e procura envolver muitas personagens, a fim de não deixar óbvio quem seria o assassino.

Assim, o leitor acaba por parar para pensar em quem seria o terrível assassino, no motivo e em qual é a ligação da história de Agnes com o presente.

Pontos Negativos

Para que a história possa ser bem entendida, um organograma de personagens foi feito, justamente por haver muitos deles. Felizmente, a escritora fez questão de, ao citar o nome de alguém, adiciona detalhes pessoais marcantes, facilitando, assim, lembrar-se de quem se trata.

A trama desenvolve-se em histórias semi-paralelas que, mais cedo ou mais tarde, terão seu encontro. Com isso, existem “contos” dentro da história que não são relevantes, deixando a leitura mais lenta e atrapalhando o leitor. Por exemplo, no caso do chefe de polícia, Mellberg reencontrando seu filho, Simon: não há um porquê desse encontro estar no livro, não há sequer uma ligação com a história principal.

Crítica Geral

Muito bem escrito e muito bem pensado. É um ótimo livro para se intrigar e por em funcionamento os neurônios e a capacidade de resolver crimes. Muitas personagens têm características para ser tal assassino, mas um detalhe pode mudar o rumo da história. “O Cortador de Pedras” ilustra bem isso, juntamente com o passado e a coincidência de assistir um programa no Discovery Channel e por em prática o que ele mostrou.

Infelizmente, o livro não é pequeno, são 450 páginas, em letras e margens pequenas.

Nota: 4 (0-5)

Livro em uma palavra: criminalística

Nota sobre o resenhista

Este é o terceiro livro sueco que leio, o terceiro livro sueco que leio sobre assassinato de crianças. Não sei o que há por trás disso, talvez alguma questão cultural ou somente uma coincidência. Adoro livros sobre assassinatos, em que se procura o terrível assassino. Porém, este é mais um dos que li, entretanto, recomendo fortemente.

Comprei esse livro na presença de um amigo ao passear pelo centro da cidade. Ele procurava por alguma coisa pra ler, eu indiquei-o vários livros de assassinato, porém não se interessou. No fim, ele comprou um livro e eu, este.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Napoleão: Uma biografia literária - Alexandre Dumas



Rápida Trama

Nascido na Córsega, Napoleão foi um dos maiores líderes mundiais da história. Começou sua carreira na Escola Militar e dali cresceu até se tornar o Imperador da França pós-Revolução. Conquistou uma enorme quantidade de terras e teve o início de sua queda quando tentava conquistar a Rússia que desrespeitou o Bloqueio Continental. Foi preso, porém fugiu. Voltou ao poder por 100 dias e acabou sendo preso novamente, para sempre.

Pontos Positivos

Como um todo, o detalhamento presente na obra – desde as batalhas até os dircursos de Napoleão – é realmente incrível. Na batalha do Egito, o combate é retratado com tanto detalhamento que fica até mais difícil de imaginar. Alexandre Dumas, um de seus generais, teve contato com o Imperador e, assim, pode compilar esses detalhes em uma obra realmente detalhista.

A presença, no final da obra, do Testamento de Napoleão é muito relevante e interessante.

Pontos Negativos

Estes detalhes, muito perfeitos, por sinal, acabam por tornar a narrativa lenta e extremamente maçante, a qual se torna cada vez mais complicada no decorrer da narrativa.

A vida, em si, de Napoleão não é o foco principal da trama, mas sim suas batalhas. Talvez isso derive do fato de Dumas ser um de seus generais. Por exemplo, ao anunciar o Bloqueio Continental, um fato extremamente marcante na história mundial, Alexandre Dumas não explica o que foi, como Napoleão pôs em prática e nem explica as consequências que trouxe ao mundo (a invasão da Espanha e a fuga da família real portuguesa). Além disso, a batalha com a Rússia – que desrespeitou o Bloqueio – tem início, na obra, sem um motivo. Justamente a ligação de consequências entre o desrespeito russo ao Bloqueio e a invasão francesa na Rússia, extremamente importante para o entendimento da obra, é tratado como irrelevante.

As batalhas, que não deveriam ter uma narrativa tão extensa, acabam por ter o foco de Dumas. Existe uma em particular que tem, para si, 12 páginas de exatas estratégias e movimentos do exército francês. Tal extensão é dada justamente pelo detalhamento, citando o nome de cada general, quantas armas conseguidas, quantos prisioneiros e etc.

Crítica Geral

No geral, o livro é muito interessante, muito convidativo. Entretanto o modo como foi escrito e o enfoque do autor acabam por torná-lo um livro maçante e lento, detalhista demais. Recomendo este livro a estudantes universitários de História.

Nota: 2 (0-5)

Livro em uma palavra: detalhes

Nota sobre o resenhista

No colegial, estudei sobre Napoleão e o império francês. Foi por isso que resolvi ler uma biografia sobre esse exímio imperador. Procurei por várias biografias e esta me pareceu a mais correspondente aos meus objetivos: saber sobre a vida do Napoleão. Infelizmente, acabei por comprar um livro escrito por um de seus generais, portanto, naturalmente, o enfoque seria dado às batalhas. Com isso, aprendi que saber sobre quem escreveu a biografia e qual a relação desta pessoa com o objeto do livro é extremamente importante.

Terei de ser franco com vocês, não li o livro por inteiro. As expectativas crescentes dentro de mim, as quais se baseavam em “esse livro vai ficar melhor daqui pra frente” não foram correspondidas e decidi por encerrar a leitura no início do governo dos Cem Dias.

Mas de ter lido parcialmente um livro não me arrependo (li exatamente 70% da obra). Como dizia minha professora de teatro: “temos de ver tanto peças boas como peças ruins, pois são elas que nos dirão quais são as boas e são elas que nos servirão de mau exemplo para que nós possamos fazer nosso melhor”.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Não Conte a Ninguém - Harlan Coben



Rápida Trama

O médico dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, conheceram-se quando eram crianças e acabaram casando-se.

Porém, no 13º aniversário de casamento, Elizabeth acaba sendo assassinada supostamente por um terrível serial killer, o KillRoy. David tem de dar a volta por cima.

Ele consegue, por si só, retomar a vida de doutor até que, em um certo momento – oito anos depois da tragédia -, recebe um e-mail pedindo para ele clicar no site anexado à mensagem eletrônica na “hora do beijo” e pedia para que ele não contasse a ninguém sobre o que estaria a ver. Quem mais, além de Elizabeth, sabia da hora do beijo?

Ele faz o que era pedido e a imagem de uma webcam em tempo real mostra uma cidade grande, com várias pessoas andando pela rua, até que Elizabeth aparece na câmera, faz alguns gestos, sussura “sinto muito” e some. Ela estaria viva ou seria um jogo de edição de imagem e vídeo?

O FBI, em paralelo, acaba encontrando dois corpos aonde o suposto assassinato de Elizabeth ocorrera e o principal suspeito do homicídio destes é David Beck. O FBI acaba conseguindo incriminar o doutor pela morte de sua esposa também. Mas Crimstein, famosa advogada, fará o seu papel.

David tem uma amiga fotógrafa, que é contatada depois de ele ficar sabendo da existência de algumas fotografias em que Elizabeth mostra-se toda machucada após um suposto acidente de carro. Essa amiga acaba sendo assassinada e a polícia consegue incriminar Beck por esse assassinato também.

Beck acaba por receber um outro e-mail, pedindo para que ele vá ao parque para encontrar Elizabeth. Ao chegar lá, ela não aparece, mas os capangas que estão de olho nele não o perdem de vista.

Quem matou Elizabeth? Ela realmente está morta? O que acontece?

Pontos Positivos

Harlan Coben, como em todos os seus livros que li até agora, começa a narrativa com histórias semi-paralelas que se encontram em um certo momento da trama, a qual nunca se encontra lenta ou enjoativa.

Muito bem fundada, a história é extremamente coerente, sem nenhuma contradição, praticamente perfeita.

O fim da história é revelador e, de certo modo, previsível.

Pontos Negativos

Malgrado a história seja muito bem pensada, muito coerente, acaba sendo extremamente confusa e divergente, confundindo o leitor que se perde em tantas informações, sejam elas erradas ou certas sobre o que ocorreu.


Crítica Geral

De todos os livros que li de Harlan Coben (“Cilada” e “Confie em Mim”), “Não conte a ninguém” é o que tem a trama mais confusa de todos eles, às vezes sendo até difícil para o leitor se situar no enredo.

Entretanto, é a história mais bem pensada e mais articulada do autor. Eu tenho de me reverenciar a Harlan Coben e suas histórias e tramas extremamente criativas, exclusivas e bem produzidas. Com certeza, é um dos escritores que mais admiro.

Nota: 3.7 (0-5)

Livro em uma palavra: Complexo.

Nota sobre o resenhista

Este é mais um livro que tomei conhecimento por procurar em livrarias. Já conhecia o autor e, quando li a resenha, interessei-me pela história.

O livro trata de acusações injustas e de como um bom advogado pode manipular as informações, o que ocorre atualmente nos júris ao redor do globo todo. Mais uma vez, vemos o poder do dinheiro, que chega a inocentar um culpado e culpar um inocente. Não sei o que significa ser “justo” no dicionário de vocês, mas minha definição é totalmente divergente da que propõe o mundo atual. A justiça está deformada pelo poder criado pelo capitalismo, portanto ela deveria ser desatrelada à economia. Infelizmente, isso não ocorrerá tão cedo. Enquanto isso, os ricos estarão soltos e os pobres estarão presos.

Devido a feriados, vestibulares, viagens, etc, a leitura dessa obra demorou a ser concluída e, portanto, sua resenha também. Desculpem-me pela demora.

Enfim, hoje é Natal e o “Procuram-se Leitores” deseja a todos um Feliz Natal repleto de fartura e felicidades. Que todos vossos desejos sejam realizados! Um brinde à leitura!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Besta - Roslund & Hellström



Rápida Trama

Lund ficou conhecido pela Suécia por ter estuprado e depois matado meninas há quatro anos e também por ter deixado rastros de saliva nos sapatos e nos pés das garotas. Enquanto estava sendo transferido para um hospital, acaba conseguindo fugir do furgão onde se encontrava, causando novos crimes hediondos.

Primeiramente, depois de ter fugido, mata e estupra duas lindas meninas que passeavam por Estocolmo depois de terem treinado. Seus cadáveres são encontrados em um lugar remoto, com sêmen em sua extensão e resquícios de saliva nos pés e sapatos. As roupas das garotas meticulosamente organizadas, 20 milímetros de espaço entre elas, igual a seus pertences em sua antiga cela. Definitivamente era Lund.

O criminoso acaba partindo para o ataque novamente, mata Marie do mesmo jeito que matara as outras. Mas desta vez, o pai dela se vinga e acaba matando o sanguinário.

A juíza e o promotor dizem que o pai deve ser preso, pois não há pena de morte na Suécia e não se deve fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, tomar o lugar do Estado. Porém, todo o resto da Suécia considera-o como um herói.

Se Fredrik Steffansson, o pai vingativo, será preso, cabe à sua própria escolha, a qual trará terríveis consequências, não só para ele, mas como para o resto da Suécia.

Pontos Positivos

A adequação da linguagem, inclusive na narrativa, aos personagens narrados é uma ideia genial. Por exemplo, ao se narrar duas meninas andando pela cidade, o narrador utiliza-se de orações coordenadas simples, diretas e sem profundidade literal, tal como crianças usam a gramática.

O interrogatório, feito durante a narrativa, de uma criança acabou se tornando tragicômico, pois foi escrito exatamente como uma criança entende e explica o que viu, ouviu e sentiu no momento do horror.

A narrativa remete-se a um filme (com cortes e etc) havendo uma marcação extremamente presente. A imaginação não tem dificuldades em decifrar as cenas e montar “videozinhos”, parcialmente devido à linguagem leve do autor, também ao detalhamento.

As críticas propostas pelo livro ao sistema carcerário sueco é presente durante toda a narrativa. Como um dos autores é um ex-detento, essa realidade é bem representada. Tal crítica baseia-se no fato de o sistema ser injusto com os supostos “heróis”, não ter flexibilidade quanto às leis que sentenciam um meliante.

Pontos Negativos

Os flashbacks presentes na obra, às vezes, acabam por torná-la confusa. Além disso, algumas ações demoram a acontecer, o que irrita profundamente alguém que procura por dinâmica. Também existem instropecções sem nexo algum durante a narrativa, perdendo a coesão e atrapalhando a concentração do leitor.

O clímax, infelizmente, acaba por ser sucinto e muito prévio. A parte mais interessante do livro acaba por não ser o fim, mas o “meio” da história, diferentemente do “regulamento” das narrativas. Depois de certo fato, ela acaba por perder o encanto e tem-se a percepção de que os autores tiveram de cavar fundo em suas mentes e imaginação para achar uma linha tênue que pudesse conectar as ideias.

Ainda sim, existem erros de português no livro. Não erros de concordância, mas erros de falta/troca de letras. O revisor não fez bem seu trabalho.

Crítica Geral

Por abranger uma realidade tão global e verdadeira, os autores de “A Besta” não medem esforços para chocar, para nos deixar com náusea e com raiva do mundo. Usa repetições de palavras e frases como modo a enfatizar as ações importantes e as quais têm alguma profundidade crítica, usa do homossexualismo como forma de abrir a gama de assuntos discutidos, põe durante a narrativa letras de músicas como forma de aplicar uma trilha sonora, dando uma leveza à narração e, assim, causando um maior conforto ao se imaginar dentro da história, como um expectador ativo.

Este é o segundo livro policial que leio cujas histórias ocorrem em Estocolmo. É muito divertido conectar pontos de um livro (tais como o Instituto Karolinska, o IML, o bairro de Strängnä, etc) com o outro e acabar por imaginar duas cenas diferentes dentro do mesmo cenário totalmente virtual.

Nota: 3.5 (0-5)

Livro em uma palavra: Doentio.

Nota sobre o resenhista

Tenho uma preferência por livros que chocam, que me fazem pensar. De fato, “A Besta” põe-nos a sentar e refletir exatamente sobre o quão seguros estamos dentro e fora de casa e se essa “pseudo”-segurança proposta pelo Estado vale de alguma coisa. Não somos imunes à violência, mas ela poderia ser amenizada, algo que o texto acaba por não propor. Porém, o que mais choca é que essa história pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer hora. Pode até estar acontecendo, até mesmo, agora, neste exato momento.

Essa minha preferência não é aleatória. O choque causado por esses livros, sejam eles bons, ruins ou tanto-faz, nos levam a pensar sobre o que a obra representa para uma sociedade, o que esse amontoado de palavras quer dizer, quer criticar, quer pregar. Se, por acaso, eu estiver lendo um livro de romance-meloso, os quais são todos iguais (sem desmerecer qualquer livro!), que ideal está sendo pregado? Qual a crítica à sociedade? Onde está o valor cultural, cidadão? É certo que existem exceções (Clarice Lispector, como um dos vários exemplos), porém os que mais fazem sucesso são aqueles que não o merecem. São livros comerciais, visados a apenas uma espécie de público, uma espécie de mente alienada.

Tomei conhecimento de “A Besta” por um site que relaciona os livros que você leu, com as respectivas categorizações e mostra alguns que você possa gostar. Não recomendo o site.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Hipnotista - Lars Kepler



Rápida Trama

Nos arredores de Estocolmo, Suécia, o cadáver de um homem foi encontrado no vestiário de um ginásio, um assassinato terrível, sangue para todos os lados. Assim, a polícia vai até a casa desse homem para avisar a família do ocorrido. Entretanto, ao bater à porta, o policial não recebe resposta. Por isso, dá a volta, entra pelos fundos e encontra sua esposa, sua filha e seu filho mais novos também mortos. Mal sabe ele que esse mais novo não está morto, mas quase.

A polícia fica com receio de que a filha mais velha, que não mora com a família, também possa sofrer algum ataque. E, como o filho mais novo ainda sobrevivera, mesmo estando em um estado horrível, no leito do hospital, Dr. Erik Maria Bark, psiquiatra, hipnotiza o garoto, por convencimento de Joona Lina (detetive), mesmo depois de prometer em rede nacional que nunca mais o faria, 10 anos antes.

O que o garoto fala deixa todos de cabelos em pé, revela que foi ele quem matou todos. A filha mais velha acaba por revelar detalhes sórdidos da relação fraternal. Além disso, para causar a preocupação geral, o garoto consegue fugir do hospital e acaba sumindo do mapa, depois de ferir uma pessoa e matar outra.

Benjamin, filho de Erik Bark com Simone, sua mulher, cujo casamento está por um fio, acaba sendo sequestrado e isso leva o médico a retroceder no tempo para achar alguém que possa realmente ter feito isso. Além de tudo, o garoto tem uma doença rara que impede o sangue de coagular e tem de tomar suas injeções diárias, mas, enquanto sequestrado, não as toma e seus pais ficam aflitos, com razão.

Enquanto isso, Simone chama seu pai, um detetive aposentado, para descobrir onde Benjamin estaria. Mas, depois de descobrir algo extremamente revelador, uma garotinha com um olhar mau o empurra em frente a um carro e acaba por ser hospitalizado devido ao atropelamento.

Benjamin terá seu paradeiro encontrado, mas será uma luta para chegar até as montanhas congeladas e escuras do dezembro do norte da Suécia.

Pontos positivos

A história em si é muito bem escrita, com raros momentos de estagnação. Além de envolver o leitor, transfere-lhe o ambiente em que a história se passa, por exemplo, quando as personagens estão em um frio de vinte graus negativos no norte da Suécia, quase na divisa com a Noruega, o modo como o casal Lars Kepler o descreve é intenso, talvez até dramático demais.

O entrelaçamento entre as informações expostas no texto é incrível, algumas dicas são dadas ao leitor, que somente irá ponderá-las quando estiver nos últimos capítulos. Além de, na capa, existir uma tesoura com sangue, cuja função é desconhecida pelo leitor até o fim da trama, mas existem pontos espalhados durante a narração pelos quais um raciocínio lógico provável pode ser concluído.

A trama é muito bem pensada, executada e tem um final feliz que é razoavelmente engraçado.

Pontos negativos

Lars Kepler usa detalhes demais quanto à localização em Estocolmo, o que, para alguém que não conhece a capital sueca, é excesso de informações. Além disso, existem momentos em que a situação proposta pelo escritor é mal interpretada e pode levar ao desintedimento de certas cenas.


Crítica Geral

Fui enganado, mais uma vez, pelas resenhas do livro: “uma reflexão definitiva sobre o mal”, não exatamente, já que os crimes são feitos por uma pessoa psicologicamente perturbada, não devido à intrínseca característica dela, mas por um trauma, ou seja, essa “reflexão definitiva” não é e nem deve ser pensada muito a fundo.

Mesmo tendo mais de um milhão de exemplares vendidos ao redor do mundo, a trama me pareceu inferior a outros livros que li, como, por exemplo, alguns da Agatha Christie (de quem sou fã incondicional), mas merece a fama que tem recebido e eu indicaria esse livro a alguém que queira se assustar ou se horrorizar um pouco.

Nota: 3.5 (0-5)

Livro em uma palavra: frio.

Nota sobre o resenhista

Este livro foi comprado juntamente com “Winkie”, cuja crítica já foi feita. Depois que eu o adquiri pela internet, procurei saber algumas coisas mais sobre o casal Alexandra Coelho Ahndoril e Alexander Ahndoril, cujo pesudônimo é “Lars Kepler”. O mais interessante é que a obra teve sua explosão de vendas com o desconhecimento sobre quem realmente era “Lars Kepler”, o que levou a mídia a procurar ao redor da Suécia pelo autor. Até que, enquanto estavam em sua casa de verão, alguns repórteres os acharam e perguntaram, com câmeras e microfones, aos dois: “vocês são Lars Kepler, nós sabemos” e, com isso, eles não tinham saída, tiveram de confirmar e tomaram reconhecimento global.

Esse livro propõe um tema interessante, o que alguém pode fazer por uma família (de ambos os lados, o do bem e o do mal). Definitivamente, propõe que essa reunião familiar é importante e que sempre há algum jeito de se reconciliar de brigas tensas. O maior exemplo é o casal, pai de Benjamin. Além disso, a obra discute o tema da “loucura”, os métodos, algumas doenças e traz também alguns pontos de cultura sobre a Suécia, que não deixa de ser interessante.

Update: Ao utilizar-me do serviço de metrô de São Paulo, vi uma propaganda deste livro dentro do vagão do trem. Além desta, vi o anúncio do livro novo do Jô Soares. Incrivelmente, acho que o Brasil tem solução já que, ao invés de existirem propagandas de produtos fúteis, inúteis e ridículos, elas estão voltando-se a um mundo mais cultural. Força, Brasil!