domingo, 25 de dezembro de 2011

Não Conte a Ninguém - Harlan Coben



Rápida Trama

O médico dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, conheceram-se quando eram crianças e acabaram casando-se.

Porém, no 13º aniversário de casamento, Elizabeth acaba sendo assassinada supostamente por um terrível serial killer, o KillRoy. David tem de dar a volta por cima.

Ele consegue, por si só, retomar a vida de doutor até que, em um certo momento – oito anos depois da tragédia -, recebe um e-mail pedindo para ele clicar no site anexado à mensagem eletrônica na “hora do beijo” e pedia para que ele não contasse a ninguém sobre o que estaria a ver. Quem mais, além de Elizabeth, sabia da hora do beijo?

Ele faz o que era pedido e a imagem de uma webcam em tempo real mostra uma cidade grande, com várias pessoas andando pela rua, até que Elizabeth aparece na câmera, faz alguns gestos, sussura “sinto muito” e some. Ela estaria viva ou seria um jogo de edição de imagem e vídeo?

O FBI, em paralelo, acaba encontrando dois corpos aonde o suposto assassinato de Elizabeth ocorrera e o principal suspeito do homicídio destes é David Beck. O FBI acaba conseguindo incriminar o doutor pela morte de sua esposa também. Mas Crimstein, famosa advogada, fará o seu papel.

David tem uma amiga fotógrafa, que é contatada depois de ele ficar sabendo da existência de algumas fotografias em que Elizabeth mostra-se toda machucada após um suposto acidente de carro. Essa amiga acaba sendo assassinada e a polícia consegue incriminar Beck por esse assassinato também.

Beck acaba por receber um outro e-mail, pedindo para que ele vá ao parque para encontrar Elizabeth. Ao chegar lá, ela não aparece, mas os capangas que estão de olho nele não o perdem de vista.

Quem matou Elizabeth? Ela realmente está morta? O que acontece?

Pontos Positivos

Harlan Coben, como em todos os seus livros que li até agora, começa a narrativa com histórias semi-paralelas que se encontram em um certo momento da trama, a qual nunca se encontra lenta ou enjoativa.

Muito bem fundada, a história é extremamente coerente, sem nenhuma contradição, praticamente perfeita.

O fim da história é revelador e, de certo modo, previsível.

Pontos Negativos

Malgrado a história seja muito bem pensada, muito coerente, acaba sendo extremamente confusa e divergente, confundindo o leitor que se perde em tantas informações, sejam elas erradas ou certas sobre o que ocorreu.


Crítica Geral

De todos os livros que li de Harlan Coben (“Cilada” e “Confie em Mim”), “Não conte a ninguém” é o que tem a trama mais confusa de todos eles, às vezes sendo até difícil para o leitor se situar no enredo.

Entretanto, é a história mais bem pensada e mais articulada do autor. Eu tenho de me reverenciar a Harlan Coben e suas histórias e tramas extremamente criativas, exclusivas e bem produzidas. Com certeza, é um dos escritores que mais admiro.

Nota: 3.7 (0-5)

Livro em uma palavra: Complexo.

Nota sobre o resenhista

Este é mais um livro que tomei conhecimento por procurar em livrarias. Já conhecia o autor e, quando li a resenha, interessei-me pela história.

O livro trata de acusações injustas e de como um bom advogado pode manipular as informações, o que ocorre atualmente nos júris ao redor do globo todo. Mais uma vez, vemos o poder do dinheiro, que chega a inocentar um culpado e culpar um inocente. Não sei o que significa ser “justo” no dicionário de vocês, mas minha definição é totalmente divergente da que propõe o mundo atual. A justiça está deformada pelo poder criado pelo capitalismo, portanto ela deveria ser desatrelada à economia. Infelizmente, isso não ocorrerá tão cedo. Enquanto isso, os ricos estarão soltos e os pobres estarão presos.

Devido a feriados, vestibulares, viagens, etc, a leitura dessa obra demorou a ser concluída e, portanto, sua resenha também. Desculpem-me pela demora.

Enfim, hoje é Natal e o “Procuram-se Leitores” deseja a todos um Feliz Natal repleto de fartura e felicidades. Que todos vossos desejos sejam realizados! Um brinde à leitura!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Besta - Roslund & Hellström



Rápida Trama

Lund ficou conhecido pela Suécia por ter estuprado e depois matado meninas há quatro anos e também por ter deixado rastros de saliva nos sapatos e nos pés das garotas. Enquanto estava sendo transferido para um hospital, acaba conseguindo fugir do furgão onde se encontrava, causando novos crimes hediondos.

Primeiramente, depois de ter fugido, mata e estupra duas lindas meninas que passeavam por Estocolmo depois de terem treinado. Seus cadáveres são encontrados em um lugar remoto, com sêmen em sua extensão e resquícios de saliva nos pés e sapatos. As roupas das garotas meticulosamente organizadas, 20 milímetros de espaço entre elas, igual a seus pertences em sua antiga cela. Definitivamente era Lund.

O criminoso acaba partindo para o ataque novamente, mata Marie do mesmo jeito que matara as outras. Mas desta vez, o pai dela se vinga e acaba matando o sanguinário.

A juíza e o promotor dizem que o pai deve ser preso, pois não há pena de morte na Suécia e não se deve fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, tomar o lugar do Estado. Porém, todo o resto da Suécia considera-o como um herói.

Se Fredrik Steffansson, o pai vingativo, será preso, cabe à sua própria escolha, a qual trará terríveis consequências, não só para ele, mas como para o resto da Suécia.

Pontos Positivos

A adequação da linguagem, inclusive na narrativa, aos personagens narrados é uma ideia genial. Por exemplo, ao se narrar duas meninas andando pela cidade, o narrador utiliza-se de orações coordenadas simples, diretas e sem profundidade literal, tal como crianças usam a gramática.

O interrogatório, feito durante a narrativa, de uma criança acabou se tornando tragicômico, pois foi escrito exatamente como uma criança entende e explica o que viu, ouviu e sentiu no momento do horror.

A narrativa remete-se a um filme (com cortes e etc) havendo uma marcação extremamente presente. A imaginação não tem dificuldades em decifrar as cenas e montar “videozinhos”, parcialmente devido à linguagem leve do autor, também ao detalhamento.

As críticas propostas pelo livro ao sistema carcerário sueco é presente durante toda a narrativa. Como um dos autores é um ex-detento, essa realidade é bem representada. Tal crítica baseia-se no fato de o sistema ser injusto com os supostos “heróis”, não ter flexibilidade quanto às leis que sentenciam um meliante.

Pontos Negativos

Os flashbacks presentes na obra, às vezes, acabam por torná-la confusa. Além disso, algumas ações demoram a acontecer, o que irrita profundamente alguém que procura por dinâmica. Também existem instropecções sem nexo algum durante a narrativa, perdendo a coesão e atrapalhando a concentração do leitor.

O clímax, infelizmente, acaba por ser sucinto e muito prévio. A parte mais interessante do livro acaba por não ser o fim, mas o “meio” da história, diferentemente do “regulamento” das narrativas. Depois de certo fato, ela acaba por perder o encanto e tem-se a percepção de que os autores tiveram de cavar fundo em suas mentes e imaginação para achar uma linha tênue que pudesse conectar as ideias.

Ainda sim, existem erros de português no livro. Não erros de concordância, mas erros de falta/troca de letras. O revisor não fez bem seu trabalho.

Crítica Geral

Por abranger uma realidade tão global e verdadeira, os autores de “A Besta” não medem esforços para chocar, para nos deixar com náusea e com raiva do mundo. Usa repetições de palavras e frases como modo a enfatizar as ações importantes e as quais têm alguma profundidade crítica, usa do homossexualismo como forma de abrir a gama de assuntos discutidos, põe durante a narrativa letras de músicas como forma de aplicar uma trilha sonora, dando uma leveza à narração e, assim, causando um maior conforto ao se imaginar dentro da história, como um expectador ativo.

Este é o segundo livro policial que leio cujas histórias ocorrem em Estocolmo. É muito divertido conectar pontos de um livro (tais como o Instituto Karolinska, o IML, o bairro de Strängnä, etc) com o outro e acabar por imaginar duas cenas diferentes dentro do mesmo cenário totalmente virtual.

Nota: 3.5 (0-5)

Livro em uma palavra: Doentio.

Nota sobre o resenhista

Tenho uma preferência por livros que chocam, que me fazem pensar. De fato, “A Besta” põe-nos a sentar e refletir exatamente sobre o quão seguros estamos dentro e fora de casa e se essa “pseudo”-segurança proposta pelo Estado vale de alguma coisa. Não somos imunes à violência, mas ela poderia ser amenizada, algo que o texto acaba por não propor. Porém, o que mais choca é que essa história pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer hora. Pode até estar acontecendo, até mesmo, agora, neste exato momento.

Essa minha preferência não é aleatória. O choque causado por esses livros, sejam eles bons, ruins ou tanto-faz, nos levam a pensar sobre o que a obra representa para uma sociedade, o que esse amontoado de palavras quer dizer, quer criticar, quer pregar. Se, por acaso, eu estiver lendo um livro de romance-meloso, os quais são todos iguais (sem desmerecer qualquer livro!), que ideal está sendo pregado? Qual a crítica à sociedade? Onde está o valor cultural, cidadão? É certo que existem exceções (Clarice Lispector, como um dos vários exemplos), porém os que mais fazem sucesso são aqueles que não o merecem. São livros comerciais, visados a apenas uma espécie de público, uma espécie de mente alienada.

Tomei conhecimento de “A Besta” por um site que relaciona os livros que você leu, com as respectivas categorizações e mostra alguns que você possa gostar. Não recomendo o site.