Rápida Trama
Lund ficou conhecido pela Suécia por ter estuprado e depois matado meninas há quatro anos e também por ter deixado rastros de saliva nos sapatos e nos pés das garotas. Enquanto estava sendo transferido para um hospital, acaba conseguindo fugir do furgão onde se encontrava, causando novos crimes hediondos.
Primeiramente, depois de ter fugido, mata e estupra duas lindas meninas que passeavam por Estocolmo depois de terem treinado. Seus cadáveres são encontrados em um lugar remoto, com sêmen em sua extensão e resquícios de saliva nos pés e sapatos. As roupas das garotas meticulosamente organizadas, 20 milímetros de espaço entre elas, igual a seus pertences em sua antiga cela. Definitivamente era Lund.
O criminoso acaba partindo para o ataque novamente, mata Marie do mesmo jeito que matara as outras. Mas desta vez, o pai dela se vinga e acaba matando o sanguinário.
A juíza e o promotor dizem que o pai deve ser preso, pois não há pena de morte na Suécia e não se deve fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, tomar o lugar do Estado. Porém, todo o resto da Suécia considera-o como um herói.
Se Fredrik Steffansson, o pai vingativo, será preso, cabe à sua própria escolha, a qual trará terríveis consequências, não só para ele, mas como para o resto da Suécia.
Pontos Positivos
A adequação da linguagem, inclusive na narrativa, aos personagens narrados é uma ideia genial. Por exemplo, ao se narrar duas meninas andando pela cidade, o narrador utiliza-se de orações coordenadas simples, diretas e sem profundidade literal, tal como crianças usam a gramática.
O interrogatório, feito durante a narrativa, de uma criança acabou se tornando tragicômico, pois foi escrito exatamente como uma criança entende e explica o que viu, ouviu e sentiu no momento do horror.
A narrativa remete-se a um filme (com cortes e etc) havendo uma marcação extremamente presente. A imaginação não tem dificuldades em decifrar as cenas e montar “videozinhos”, parcialmente devido à linguagem leve do autor, também ao detalhamento.
As críticas propostas pelo livro ao sistema carcerário sueco é presente durante toda a narrativa. Como um dos autores é um ex-detento, essa realidade é bem representada. Tal crítica baseia-se no fato de o sistema ser injusto com os supostos “heróis”, não ter flexibilidade quanto às leis que sentenciam um meliante.
Pontos Negativos
Os flashbacks presentes na obra, às vezes, acabam por torná-la confusa. Além disso, algumas ações demoram a acontecer, o que irrita profundamente alguém que procura por dinâmica. Também existem instropecções sem nexo algum durante a narrativa, perdendo a coesão e atrapalhando a concentração do leitor.
O clímax, infelizmente, acaba por ser sucinto e muito prévio. A parte mais interessante do livro acaba por não ser o fim, mas o “meio” da história, diferentemente do “regulamento” das narrativas. Depois de certo fato, ela acaba por perder o encanto e tem-se a percepção de que os autores tiveram de cavar fundo em suas mentes e imaginação para achar uma linha tênue que pudesse conectar as ideias.
Ainda sim, existem erros de português no livro. Não erros de concordância, mas erros de falta/troca de letras. O revisor não fez bem seu trabalho.
Crítica Geral
Por abranger uma realidade tão global e verdadeira, os autores de “A Besta” não medem esforços para chocar, para nos deixar com náusea e com raiva do mundo. Usa repetições de palavras e frases como modo a enfatizar as ações importantes e as quais têm alguma profundidade crítica, usa do homossexualismo como forma de abrir a gama de assuntos discutidos, põe durante a narrativa letras de músicas como forma de aplicar uma trilha sonora, dando uma leveza à narração e, assim, causando um maior conforto ao se imaginar dentro da história, como um expectador ativo.
Este é o segundo livro policial que leio cujas histórias ocorrem em Estocolmo. É muito divertido conectar pontos de um livro (tais como o Instituto Karolinska, o IML, o bairro de Strängnä, etc) com o outro e acabar por imaginar duas cenas diferentes dentro do mesmo cenário totalmente virtual.
Nota: 3.5 (0-5)
Livro em uma palavra: Doentio.
Nota sobre o resenhista
Tenho uma preferência por livros que chocam, que me fazem pensar. De fato, “A Besta” põe-nos a sentar e refletir exatamente sobre o quão seguros estamos dentro e fora de casa e se essa “pseudo”-segurança proposta pelo Estado vale de alguma coisa. Não somos imunes à violência, mas ela poderia ser amenizada, algo que o texto acaba por não propor. Porém, o que mais choca é que essa história pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer hora. Pode até estar acontecendo, até mesmo, agora, neste exato momento.
Essa minha preferência não é aleatória. O choque causado por esses livros, sejam eles bons, ruins ou tanto-faz, nos levam a pensar sobre o que a obra representa para uma sociedade, o que esse amontoado de palavras quer dizer, quer criticar, quer pregar. Se, por acaso, eu estiver lendo um livro de romance-meloso, os quais são todos iguais (sem desmerecer qualquer livro!), que ideal está sendo pregado? Qual a crítica à sociedade? Onde está o valor cultural, cidadão? É certo que existem exceções (Clarice Lispector, como um dos vários exemplos), porém os que mais fazem sucesso são aqueles que não o merecem. São livros comerciais, visados a apenas uma espécie de público, uma espécie de mente alienada.
Tomei conhecimento de “A Besta” por um site que relaciona os livros que você leu, com as respectivas categorizações e mostra alguns que você possa gostar. Não recomendo o site.

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