Rápida trama
Mal sabem seus donos que Winkie, um urso de pelúcia filosófico, questionador e dramático, que, enquanto brincam com ele, comenta em sua cabeça o que acontece ao seu redor e tem sentimentos inimagináveis a um animal e/ou um brinquedo. Passado de mãos em mãos até que, em um momento específico, toma vida e desce da prateleira em que se encontrava por tanto tempo a fim de viver. Come frutas, faz cocô, tem uma filha! Sempre filosofando, questionando os vários pontos altos e baixos de sua singela vida, até que, enquanto reside em sua cabaninha no meio da floresta (antes pertencente a um fabricante de bombas amante da natureza), depois que sua vida foi de mal a pior, o FBI o intercepta, dá um tiro no urso e acusa-o de ter cometido mais de mil crimes, cujo julgamento durará difíceis meses. No hospital, conhece Françoise, sua amiga que acaba sendo sentenciada por ajuda a um criminoso. O advogado de defesa de Winkie, Carlos Perdedor Quarto, é gago e nunca ganhou um caso na vida, mas se esforçará muito para que Winkie atinja seu ideal: a liberdade.
Pontos Positivos
O livro, em sua essência, possui características filosóficas passadas ao leitor por meio de perguntas que o faz questionar a vida como um todo. A linguagem é leve, com pontos de bom humor. Além disso, a dinâmica presente em certos momentos da leitura torna a obra relativamente fácil e despojada. As caracterizações não são pesadas nem leves demais, têm a medida certa. É incrível ver como Clifford Chase define e caracteriza os sentimentos de todas as personagens de maneira compreensível e inteligível, algo extremamente difícil de se fazer, bem como os momentos de nostalgia por parte do urso são de extrema comoção, tanto da personagem como do autor.
Pontos Negativos
Existem trechos da narrativa que se apresentam lentos, porém são necessários ao entendimento integral do texto. Além do mais, há momentos em que as mesmas informações acabam sendo repetidas, causando uma leitura lenta, porém não desagradável. Além disso, a falta de informações sobre os crimes, se eles foram realmente praticados por Winkie ou se foram manipulados, deixa o leitor em um vácuo, sem saber o que pensar sobre o urso, sem definir propriamente uma opinião sobre ele. Entretanto, pelo contexto, pode-se chegar a uma conclusão, porém não se sabe certamente o que aconteceu e se houve omissão de informações.
Crítica Geral
Em si, o livro se encaixa perfeitamente na era nostálgica, presente em grande parte no decorrer de todas as nossas vidas. Portanto, o livro não propõe barreiras etárias. Entretanto, há pontos na narração que são macabros, devido ao detalhamento de o que acontece e à imaginação fértil do escritor.
Ao se analisar, pode-se aferir que o último dono de Winkie tem o mesmo nome do autor: Clifford Chase. Assim sendo, é possível cogitar na possibildade de haver momentos autobiográficos durante a narrativa, tornando-a curiosa.
Posso dizer a vocês, leitores, que fui enganado pelas malditas resenhas da aba do livro, em que estão presentes tais características equivocadas sobre o livro: “Selvagem e incrivelmente engraçado”, “engraçadíssimo romance”, “assustadoramente belo”. Não achei a narrativa extremamente engraçada, ela é somente bem-humorada, além disso, não é assustadoramente belo, é confortavelmente belo.
Ao ver o esforço tão grande feito pelo urso ao depor no tribunal, sente-se um orgulho, um prazer imenso de ter uma criatura possivelmente (e provavelmente, é o que se afere da leitura) inocente, zelando não ter culpa, para ter liberdade e poder viver em paz.
A neurose presente no dia-a-dia humano é a mesma presente na vida de Winkie, que sabe lidar com ela muito melhor que nós, meros mortais em busca de respostas.
Sua fofura, sua doçura e seu próprio nome amolecem o coração amanteigado de qualquer humano aberto a se emocionar. É emocionante sentir na pele o que o urso sente tão fortemente que os olhos de quem lê se enchem de lágrimas.
Existem, no seu decorrer, algumas fotos de um urso (talvez seja o próprio Winkie, do Clifford Chase) em diferentes lugares com diferentes roupas. Cada foto merece um sorriso ao ser vista.
Nota: 4 (0-5)
O Livro em uma Palavra: cativante.
Nota sobre o resenhista:
Ao andar pelos corredores do shopping center de minha cidade, passei em frente a uma livraria. Ao entrar, me deparei com vários livros os quais já tinha lido e outros inéditos à minha visão. Pedi à atendente que me recomendasse algum, já que, para se trabalhar em uma livraria, há de se ler (dei sorte, pois ela lia! Geralmente não lêem). Sendo assim, ela me recomendou uns quatro livros, dois deles eu já lera. Um dos que eu ainda não tinha ouvido falar até então era de “Winkie”. A atendente me disse que um amigo dela havia lido e que foi o melhor livro que ele já leu na vida dele. Muito bem, pensei eu. Voltei pra casa e pesquisei mais sobre essa obra, o que fez minha curiosidade crescer rapidamente. Por isso, comprei-o pela internet e outras duas obras mais, as quais revisarei mais tarde, com certeza.
Eu identifiquei-me muito com o ursinho que se sente excluído, incluído, excluído novamente, raivoso, nervoso, triste. É muito estranho ver um brinquedo que, supostamente, não tem sentimentos, tê-los. Não é à toa que sou fã de Wall-E (filme da Pixar, em que um robô se apaixona por uma outra robô; como eu disse, é estranho ver seres materiais tendo sentimentos tão reais) e Toy Story. Cheguei até a me emocionar com uma certa passagem, que me remeteu às minhas amizades, ao momento pelo qual estou passando na vida e as minhas relações sociais.
Quando comentei com meus colegas e familiares sobre “Winkie”, todos tiveram aquela ponta de preconceito: “nossa, que péssimo”, “que coisa mais doida”, “ah, deve ser ruim”; mas eu sempre contraargumento: “não julgue um livro pela capa”. Esse ditado nunca caiu melhor em contexto como esse.
Peço desculpas a todos vocês, leitores, que esperaram por essa atualização por tanto tempo. Demorei para ler e rever a obra devido às provas de vestibulares que tenho feito. Assim que elas acabarem, novas resenhas virão mais frequentemente.
Recebi algumas críticas positivas sobre as resenhas as quais afirmavam que elas estavam grandes demais. Tentarei resumir um pouco mais daqui pra frente!
Recebi algumas críticas positivas sobre as resenhas as quais afirmavam que elas estavam grandes demais. Tentarei resumir um pouco mais daqui pra frente!

Gostei do blog, a ideia é ótima (é como o que eu tinha, de resenhas, há dois anos...fez sucessinho. haha). Dica: postagens mais curtas.
ResponderExcluiraliás, essa 'nota sobre o resenhista' poderia ser um post a parte. Mas...isso é só minha opinião. Não gosto de ler muito no pc (talvez se eu usasse óculos, melhroasse...)
Está de parabéns! Vou começar a seguir você e comentar suas postagens! Fiquei curiosa para ler o livro...me lembrou um que eu escrevi quando tinha 14 anos - a história é de uma menina e o ursinho de pelúcia dela. O ursinho é o protagonista da história, na verdade...tudo é contado a partir dele e como ele vê as coisas.
Muito bem escrito, bem pensado, bem analisado!
Beijo no coração da grande empada de palmito!